Imagina só a situação: você tem dez anos, a mansão da sua família pega fogo do nada e seus pais morrem de forma trágica. É barra pesada. Dois anos depois da tragédia, o jovem conde inglês Ciel Phantomhive, agora com 12 anos, ainda não engoliu essa história de “acidente”. O moleque percebe que tem caroço nesse angu e, para descobrir a verdade por trás do assassinato dos pais, ele chuta o balde e vai buscar respostas fora da nossa realidade. Ele invoca um demônio de outra dimensão e firma um pacto bem simples e sombrio: sua alma como pagamento em troca de ajuda na investigação.
É essa a premissa visceral que dita o ritmo de Black Butler, ou Kuroshitsuji, a adaptação do mangá de Yana Toboso que deu as caras na TV japonesa lá em outubro de 2008. A entidade sobrenatural topa o acordo e assume a carcaça de um mordomo impecável chamado Sebastian Michaelis. Frio e calculista, Sebastian obedece cegamente às ordens de Ciel, garantindo que o garoto consiga sua vingança para que, no fim, o demônio possa faturar a alma do herdeiro. Juntos, eles começam a vasculhar o submundo do crime e os segredos da aristocracia britânica, trombando com outros demônios, ceifeiros e até anjos.
A trama ganha uma pimenta extra na segunda temporada com a chegada de uma dupla rival que bagunça o tabuleiro. O conde Alois Trancy, um garoto com um passado cheio de dor e tragédia, entra em cena acompanhado de seu próprio mordomo encapetado, Claude Faustus. O clima fica tenso de verdade porque Alois botou na cabeça que Sebastian é o culpado pela morte do irmão dele. Isso desencadeia uma guerra fria de manipulações, brigas e reviravoltas que deixam qualquer um vidrado. Já dando um salto no tempo para a quarta e mais recente temporada, que chegou ao streaming neste ano, o foco dá uma guinada. Ciel acaba sendo escalado pela própria Rainha da Inglaterra para atuar como uma espécie de cão de guarda e se infiltrar num internato masculino para tentar desvendar uma série de desaparecimentos para lá de suspeitos.
E se em Black Butler a gente acompanha investigações num submundo vitoriano movido a pactos demoníacos, o universo dos animes também nos joga para um outro extremo da manutenção da ordem: o Japão high-tech e decadente da franquia Patlabor. A pegada muda radicalmente da magia para a mecânica pesada, mas a essência de resolver problemas e proteger a sociedade continua firme.
Às vésperas da estreia nos cinemas japoneses, a Bandai Namco Filmworks soltou um trailer no YouTube focadão em apresentar os rostos da nova equipe da 2ª Divisão da Seção de Veículos Especiais do Departamento de Polícia Metropolitana de Tóquio. A obra Patlabor EZY chega no formato de oito episódios divididos em três partes para o cinema. O “File 1” já tá batendo na porta com lançamento em 15 de maio de 2026, coladinho com o “File 2” que sai em 14 de agosto de 2026. Esses dois primeiros blocos trazem histórias independentes, bem naquela pegada antológica clássica. Já a conclusão contínua da história fica para o “File 3”, programado para março de 2027. O estúdio J.C. Staff assumiu a bronca da animação, com a direção de Yutaka Izubuchi, baseado no trabalho original da HEADGEAR, e a trilha sonora sempre impecável do mestre Kenji Kawai.
Pra quem não tá cem por cento ligado na lore de Patlabor, a coisa funciona assim. No final dos anos 1990, robôs humanoides conhecidos como Labors viraram pau pra toda obra no avanço tecnológico. Obviamente, a bandidagem começou a usar os mechas para cometer crimes. Para bater de frente com essa nova ameaça, a polícia criou a Seção de Veículos Especiais, dando origem à famosa unidade Patlabor. Corta para a década de 2030 e o cenário é outro. O Japão sofre com uma força de trabalho encolhendo, enquanto a Inteligência Artificial tomou conta de quase tudo. Aquele Labor pilotado, que antes era o ápice da tecnologia, virou uma lata velha obsoleta perto dos robôs autônomos que dominam a infraestrutura social.
Mas tem uma coisa que o tempo não muda: a 2ª Divisão ainda precisa proteger as pessoas e a cidade. E é aí que o novo esquadrão entra em cena, operando o AV-98Plus Ingram, uma versão meio gambiarra e tunada do jurássico Type AV-98. A equipe nova traz dubladores de peso para enfrentar os crimes tecnológicos na base do improviso e da coragem. A formação inclui Kuga Towa (na voz de Sumire Uesaka), Kippei Atori (interpretado por Kikunosuke Toya, que muita gente conhece como o Denji de Chainsaw Man) e Saki Hirata (Ami Koshimizu). Fechando o time da delegacia, temos Akihiko Hazama (Chikahiro Kobayashi), Kimika Saeki (com a voz da lendária Megumi Hayashibara), Yuta Yanai (Setsuji Sato) e Yuzuki Hachikuma (Yume Matsumura). No fim das contas, seja lidando com assassinatos aristocráticos em Londres ou malucos usando inteligência artificial pro mal em Tóquio, o lado bom da história sempre vai precisar de alguém disposto a sujar as mãos.
